19 de agosto de 2011

Carta ao poeta



Querido Mário...

O outro dia o céu ameaçava chuva e eu ia a caminho de casa. Não havia carros. Não havia muros. Não havia gritos. Havia o soneto de uma doce tarde de terça-feira de Agosto e poucas flores de ipê amarelo na rua anunciando a primavera que já antecipava a sua chegada. E eu vou embora daqui a 18 dias sem poder ver todos os ipês floridos dessa cidade.




Leia um poema bonito do Vinícius, o lirismo transgressor do Manuel, o erotismo de Florbela, os desvaneios de Mutarelli, a prosa colorida de Garcia Marques e escute uma música do Chico. E amanhã me mande beijos pelo vento. Eu digo que tudo isso faz bem pra alma e pro coração!

1 de agosto de 2011

Decidi o meu futuro




Vou abrir um ateliê de costura para fazer flores de feltro, preparar docinhos de goiaba e escrever cartas de amor por encomenda. =)

28 de julho de 2011

E Falando em Delicadezas...

O amor que sabe do tempo e do vento

Dias atrás liguei para meus pais e os dois se divertiam com as dificuldades de expressar o amor que sentem um pelo outro. Acontece o seguinte. Toda manhã meus pais acordam, mais ou menos no mesmo horário, e ficam abraçadinhos esperando o sol entrar pelas frestas da persiana enquanto conversam sobre a vida. O desafio, agora, segundo minha mãe, que é mais despachada, é encontrar uma posição em que não doa alguma parte do corpo de um e de outro. Ora é a coluna do meu pai que se anuncia, interrompendo o beijo, ora são os joelhos da minha mãe que gritam embaixo do cobertor. Então, ele aos quase 81, ela perto dos 76, gastam alguns minutos encontrando uma posição em que é possível namorar sem dor. Acabam achando. Quando não param para rir da própria condição humana, o que também provoca algumas dores.

Para mim, a imagem do dia dos namorados, essa data tão comercial que acabou de levar legiões aos shoppings, é a de meus pais achando uma posição para se abraçar entre as dores de um corpo que viveu. Acho que o amor começa com som e com fúria, mas aprende na passagem do tempo o valor das pequenas delicadezas, as manias de cada um que irritam, mas que fazem cada um ser o que é. Aquela mirada terna e quase secreta em direção ao outro que faz uma bobagem qualquer, para mim vale tanto ou mais que o furor do desejo. Aprendi isso observando meus pais, primeiro com ciúmes desse amor onde eu não cabia, porque sabiamente eles mantiveram essa parte só para eles. Depois, com curiosidade científica e, finalmente, com ternura.

Desde que me entendo por gente, meus pais namoram. O que para mim foi por muito tempo algo misterioso, que exigia uma investigação que, por medo da descoberta, eu acabava sempre postergando. Por exemplo: por que as luzes da cabeceira trocavam de cor a cada semana? Em algumas noites eram vermelhas, em outras azuis e havia até madrugadas de verde. Eu perguntava, claro que perguntava, e a resposta era verdadeira, mas convenientemente sucinta: “Para variar”.

Meu pai deve ter sido o único pai do mundo que passou pela Disney, numa inusitada viagem de trabalho, comandando uma trupe de agricultores, e voltou de lá não só com brinquedos para nós, mas com baby-dolls para a minha mãe. Baby-dolls que corariam não apenas o Mickey, mas também os piratas do Caribe.

É também o único homem que eu conheço que dá rosas para a minha mãe no “aniversário de conhecimento”. Até hoje. Sim, “aniversário de conhecimento” é uma data lá em casa. Enquanto o poste embaixo do qual trocaram sussurros supostamente castos existiu, eles faziam visitas periódicas ao poste, como uma espécie de dívida de gratidão. Depois, foram miseravelmente traídos pela prefeitura. E o banco da praça onde trocaram confidências, e possivelmente algumas inconfidências, foi parar no museu. Não por causa deles, parece óbvio para todos. Menos para nós.

Tudo começou com o que eu chamo de “tijolaço” que minha mãe acertou na cabeça do meu pai. Minha mãe se finge de ofendida, mas sei que ela gosta da minha versão. Era terrível a minha mãe. Aos 13 anos ela viu meu pai passar com seu porte de soldado de chumbo e decretou: “Este vai ser meu”. Meu pai nem desconfiava, preocupado que estava com suas obrigações no internato, ele que trabalhava duro para pagar os próprios estudos, primeiro na limpeza, depois no cuidado dos alunos. Não adivinhava, mas já tinha o futuro decidido por uma pirralha com uma trança ruiva de cada lado.

Aos 15 dela, 20 dele, ela o avistou na festa de Sete de Setembro da paróquia da igreja matriz e despachou um correio amoroso em sua direção. Correio amoroso era a versão do torpedo no século passado. Era 1950, veja bem, no interior do Rio Grande do Sul, e ela tivera o desplante de escrever essa intimação. Sutil como uma ararinha azul num filme de zumbis a minha mãe: “Se for correspondida, serei a mulher mais feliz do mundo”. Meu pai espichou um meio sorriso em sua direção, o que deve ter lhe custado mais do que o passo que Neil Armstrong daria no final da década seguinte. Meu pai só foi aprender a sorrir muito mais tarde. Ensinado, claro, pela minha mãe.

Minha mãe se tornou mesmo a mulher mais feliz do mundo. E vice-versa. E nós aprendemos a vê-los sempre de mãos dadas andando pela cidade, no seu passo só aparentemente dissonante, minha mãe mais ligeirinha, atuando no miúdo, e meu pai com passadas lentas e firmes. Meu pai passeando pelos interiores de si, minha mãe novidadeira, auscultando os arredores. E, aos finais de semana, os dois executando o balé de décadas ao caminharem de mãos entrelaçadas para espiar as vitrines das lojas, fazendo de conta que elas mudavam, se abismando ora com a boniteza das peças, ora com o preço “pela hora da morte”.

Quando eu era criança, como já contei aqui, eles cumpriam também o programa familiar do domingo, no qual éramos generosamente incluídos, e que consistia em uma volta de fusca para ver as casas bonitas da cidade pequena. Sempre as mesmas, sempre dos mesmos. Lá em Ijuí eram os médicos, os fazendeiros e os empresários que tinham se dado bem no “milagre” econômico da ditadura militar que tinham casas bonitas. O resto se virava.

A vida deu e tirou de tudo do meu pai e da minha mãe, como em geral faz com quase todos. Roubou-lhes uma filha, deu-lhes outra da pá virada, a maior parte do tempo faltou-lhes dinheiro e sobrou trabalho, suspiraram de júbilo e de tristeza talvez na mesma proporção. Por muitos anos sonharam em fugir do verão de Ijuí, de onde até o diabo escapa lá por dezembro, mas não encontravam jeito. Quando juntaram umas economias, a casa que alugaram ficava na zona rural da cidade praiana, e em vez de gaivotas tínhamos galinhas. Mas nos divertimos mesmo assim, e virou história.

Como virou história a nossa primeira ida em família a um restaurante. Chinfrim que só, mas pisávamos em nuvens com nossas roupas de aniversário e sentíamos aromas de mil e uma noites. Para mim, nunca haverá um D.O.M. ou Fasano que se equipare ao restaurante do Primo. Desde então, e até hoje, qualquer prato seguido por “à Califórnia” é sinônimo de coisa muito fina lá em casa. A gente enchia a boca para dizer “à Califórnia” E até hoje meus pais adoram coisas “à Califórnia”.

Para mim e para meus irmãos era um choque descobrir que na casa de alguns de nossos amigos os pais não se beijavam nem arrulhavam. Nós achávamos que era uma lei da natureza que determinava, geneticamente, o modus operandi dos pais. Fiquei indignada quando disseram, uns anos atrás, que Hebe Camargo tinha inventado o selinho. Todo mundo sabe que foram os meus pais.

O amor é assim. Cheio de coisas sem importância que fazem uma vida. Acho que a sabedoria dos meus pais foi ter percebido que eram essas pequenas delicadezas o que realmente importava. Que os desacertos e as trapalhadas teciam os enredos das histórias que iam bordando a nossa pequena saga. Ninguém nunca achou lá em casa que era fácil viver, por isso o difícil assustava, mas não nos metia tanto medo assim.

Gosto de pensar, quando acordo pela manhã, que meus pais estão procurando, apesar das dores de outono, uma posição para ficar abraçadinhos. E, assim, encaixados de amor, falar da vida enquanto lá fora, como Erico Verissimo tão bem percebeu, ruge o tempo e o vento, cada vez mais vorazes.

(Eliane Brum - Jornalista, escritora e documentarista.)

27 de julho de 2011




27 dias longe

1 hora no skype

2.780km de distância

e uma saudade infinita!

;***

23 de abril de 2011

Meu bem...




Para o mais bonitinho admirador do Chico Buarque.
"Desde o primeiro dia. sabia, me apagando filmes geniais.
Rebobinando o século. meus velhos carnavais. minha melancolia.
Sabia que você ia trazer seus instrumentos.
...Invadir minha cabeça. onde um dia tocava uma orquestra...
...Sabia que ia acontecer você, um dia.
E claro que já não me valeria nada tudo o que eu sabia."


Foi tão bonito você me emprestar a vida assim...
E ser o meu benzinho...

10 de novembro de 2010




E eu quero brincar de esconde-esconde
E te dar minhas roupas
E te dizer
E te dizer que eu gosto dos seus sapatos
E sentar na escada
Enquanto você toma banho
E massagear sua nuca
E beijar seus pés
E segurar sua mão
E escrever suas cartas
E carregar suas caixas
E rir da sua paranóia
E falar sobre o dia
E falar sobre o dia
E te dar fitas que você não vai ouvir
E tirar fotos suas
Enquanto você dorme
E te querer de manhã
Mas deixá-lo dormir mais um pouco
E beijar suas costas
E acariciar sua pele
E te dizer o quanto amo
Seu cabelo, seus olhos, seus lábios, sua nuca, seu peito, sua bunda, seu...
E sentar na escada
Até o seu vizinho chegar
E sentar na escada
Até você chegar
E me preocupar quando você se atrasa
E me surpreender quando adianta
E te dar girassóis
E ir a sua festa
E dançar até não agüentar mais
E sentir muito quando estou errada
E ficar feliz quando você me perdoa
E olhar suas fotos
E desejar ter te conhecido desde sempre
Sempre
E ouvir sua voz no meu ouvido
E sentir sua pele na minha pele
E ficar assustada quando você está bravo
E seu olho ficou vermelho
E o outro olho ficou azul
E te querer quando te cheiro
E te ofender quando te toco
Te abraçar quando está ansioso
E te segurar quando dói
Choramingar quando estou do seu lado
Choramingar quando não
E babar no teu peito
Me derreter quando você sorri
E não entender
Porque você acha que estou te rejeitando
Quando eu não estou te rejeitando
E me perguntar como você pode achar
Que alguma vez te rejeitaria
E me perguntar quem você é
Mas te aceitar de qualquer maneira
Mas te aceitar de qualquer maneira
E te falar
Sobre o menino da floresta encantada
Do anjo que voou através do oceano
Porque ele te amava
E escreveu poemas pra você
E me perguntar porque você não acredita em mim
E ter um sentimento
E ter um sentimento
Tão profundo
Que não consiga encontrar palavras para ele
E querer comprar um gatinho para você
Do qual você teria ciúmes
Por receber mais atenção que eu
E te segurar na cama
Quando você tem que ir
E chorar
Chorar feito criança
Quando você for embora
E te pedir em casamento
E você fala não mais uma vez, mas continuar pedindo
Porque apesar de você achar
Que não estou falando sério
Eu sempre falei sério
Sempre
Desde a primeira vez que te perguntei
E vagar pela cidade
Achando vazia sem você
E querer o que você quer
O que você quer
Você
E achar que estou me perdendo
Mas saber que estou segura com você
E te contar o que eu tenho de pior
E tentar
E tentar te dar o melhor de mim
Por você não merecer nada menos
E achar que está tudo acabado
Mas segurar mais uns dez minutos
Antes de você me expulsar da sua vida
E pensar que tudo está acabado
E me esquecer de mim
E tentar ficar mais perto de você
Porque é maravilhoso te descobrir
E fazer amor com você
Às três da manhã
E de algum modo
E de algum modo
Expressar um pouco desse devastador
Imortal
Irresistível
Incondicional
Envolvente
Acalentador
Desconcertante
Ininterrupto
Insaciável
Amor que sinto por você
E isso tem que parar
Isso tem que parar
Parar
Isso tem que parar

Texto original da peça CRAVE, de Sarah Kane

25 de agosto de 2010

Impressões

Prestes a dar, me arrisco a dizer, o maior passo da minha vida, deixo aqui algumas impressões:

O novo me excita, me encanta, traz alegrias e preocupações. Tenho um sonho bonito de abraçar o mundo, mas me distraio com as minhas memórias e com as minhas angústias que teimam em me fazer viver antecipadamente o que me espera. Me encontro em um daqueles momentos em que se acredita que tudo é fugaz e isso incomoda minha alma, porque por mais que eu tenha sede de viver tudo tão intensamente agora, me recolho nos meus pensamentos estúpidos e infantis. A vocês eu digo que estou indo pra aprender; a me conhecer, a lidar com as minhas limitações e com a saudade que já machuca meu coração.


No momento escuto Vinícius:

"Vai meu irmão, pegue esse avião
Pede perdão pela duração
Dessa temporada
Vê como é que anda
Aquela vida à tôa
E se puder me manda
Uma notícia boa..."

23 de maio de 2010

então, Charlie Brown, o que é o AMOR pra você?

21 de maio de 2010

Minha declaração de amor




Só uma declaração de amor a este rapaz que deu mais sentido à minha vida e que me faz tão feliz.

18 de maio de 2010

So much details










Muito da vida se perde na espera.
Vivemos no por enquanto.
"Eduardo Baszczyn"